25 de dez de 2011

Jesus, o maior filho

Comemora-se hoje, 25 de Dezembro, o nascimento de Jesus Cristo, que segundo a mitologia cristã é o filho legítimo do deus cristão, chamado Deus.

Sobre a data em si, já tratei no 1º post do blog, falemos agora sobre a concepção e o nascimento do messias.

AVISO: Este texto conterá partes que que à primeira vista podem parecer ofensivas, mas a partir de uma análise crítica, não o são. Se for ler, deixe a mente aberta.



No folclore brasileiro, é bastante famoso o mito do Boto, uma espécie de golfinho bastante comum na região Norte do país. Conforme a lenda que gira em torno dele, em noites de festa em que a lua aparece, um exemplar da espécia adquire forma humana, se tornando um rapaz  belo e elegante que usa chapéu para esconder o respiradouro (a narina que fica sobre a cabeça de golfinhos e baleias), uma vez que este continua aparente, mesmo sob o efeito do luar. Ele comparece às festas com o objetivo de seduzir mulheres solteiras, geralmente em idade juvenil e graças a seu charme irresistível, sempre tem sucesso. Ao amanhecer, recupera a forma de animal aquático e desaparece .


Essa lenda era muito conveniente para mulheres que engravidavam de um pai anônimo ou não queriam revelar sua verdadeira identidade. Isso livrou muitas mulheres de sofrer com o conservadorismo de sua família e da sociedade como um todo. Em termos técnicos, diz-se até hoje que ela havia perdido sua "pureza" ou que não era uma "mulher honesta". Mas como o boto era o pai do rebento infeliz, a mãe não poderia ser culpada por nada, ela era apenas mais uma vítima.

Viajemos agora ao Oriente Médio de vinte séculos atrás quando os judeus, seguindo ordens bíblicas e, portanto, provenientes de Deus, apedrejavam a mulher que tivesse relações sexuais com alguém que não seu marido. De fato, a lei descrita na Bíblia é bastante confusa, do ponto de vista axiológico. Segue o ordenamento jurídico:

Uma mulher solteira é estuprada. Ela é obrigada a se casar com o estuprador ou jamais se casar e caso alguém perceba que ela foi estuprada, será apedrejada até a morte. Uma mulher casada é estuprada. Se o estuprador não for seu marido e alguém descobre que ela foi estuprada, ela será apedrejada até a morte. A bíblia não diferencia se a relação sexual foi consensual ou não, o que deixa a balança muito desequilibrada, pois é muito mais fácil um homem cometer estupro que uma mulher. Não vamos entrar na questão do machismo existente aqui e que tem repercussões até hoje, por incrível que pareça.

Segundo a bíblia, havia uma mulher simples e comum de nome Maria*, que era noiva de um carpinteiro chamado José. Certa noite, Maria estava sozinha quando recebeu a visita de um anjo, um emissário de Deus, que dizia se chamar Gabriel, e avisou Maria que ela havia sido escolhida para dar à luz o filho do deus único, onipotente, onipresente e onisciente. Maria ficou confusa, pois jamais havia sido tocada por nenhum homem (espermatozoide? onde?). O anjo disse que o Espírito Santo (que seria uma "força" metafísica inteligente capaz de distorcer as leis da natureza conforme sua vontade) faria com que ela concebesse. E assim se fez, Maria engravidou de um filho que não era de seu noivo. Aparentemente, José gostava de Maria, pois fugiu da cidade para que ela não fosse apedrejada pelos populares cientes de que ele não era o pai. Não se sabe muito bem como isso ajudaria, o mais provável é que pensassem que ele a engravidou e depois fugiu, se tornando o único culpado pela desgraça em que a moça fora deixada. Durante a fuga, José também foi visitado por um anjo, em um sonho no qual lhe foi revelado que o filho de Maria realmente era de Deus e que ele deveria ver isso como uma dádiva. Ele voltou, se casou e criou o filho de Maria como se fosse seu, não é dito se ele teve filhos legítimos com a esposa.

Muitas lendas e profecias dos judeus e de muitas outras religiões e culturas previam o nascimento de uma criança divina que viria trazem uma nova era para todo o mundo.

A história de Jesus tem um salto que vai desde sua pré-adolescência até os 30 e poucos anos, não existindo um relato bastante confiável sobre o que teria acontecido nesse intervalo de tempo. A infância de Jesus não é muito interessante, pois ele se manteve no anonimato quase o tempo todo. Apenas seus pais e alguns conhecidos sabiam de sua descendência divina. Ao se tornar mais velho, Jesus adquiriu muitos seguidores que acreditavam que ele realmente era o filho de Deus, propondo ideias progressistas e chamando a atenção de judeus poderosos e insatisfeitos com o fato de um rapaz pobre ganhar tanta importância.


Ser filho de um deus é pressão demais pra um garotinho inocente

Encerro aqui o relato sobre o Jesus simbólico que é tratado na bíblia. Falemos um pouco especificamente sobre ele.

Pensando um pouco, é muito mais fácil uma mulher engravidar de um homem anônimo que de um deus espiritual. É provável que isso foi o que realmente aconteceu com Maria: ela engravidou de um homem que não aparece em lugar nenhum da bíblia.

Desse ângulo, chegamos a uma conclusão cômica: Maria engravidou de um boto, como na lenda folclórica. Mas ela era mais esperta do que se podia imaginar. Ao engravidar de um homem que a história não conheceu, num lampejo de inteligência disse que havia engravidado de um ser místico... mas na falta de um boto, ela alegou ser DEUS.

Ora essa. Não há como contrariá-lo. Ele nunca erra (!). Ele é um deus.

A maior dificuldade que Maria deve ter tido foi convencer outras pessoas de que ele realmente era o filho de um deus, nesse momento, as profecias sobre a criança divina vieram a calhar. Ainda que José estivesse cético quanto a isso, em algum momento ele passou a acreditar que sua noiva havia sido escolhida por... DEUS. Mas isso não foi o suficiente, pois a história se tornou famosa, tão famosa que o próprio Jesus começou a achar que era o filho de Deus, ele foi criado sob essa ideia a vida toda e a propagava. Sua fama e carisma se tornaram ferramentas que influenciaram a cultura mundial contemporânea, que seria muito diferentes de outra maneira.

Conclusão: 

Maria enganou todo mundo para esconder uma gravidez acidental. Não apenas se livrou de um castigo letal como adquiriu o status de "santa".
Jesus era um cara legal, o problema era a mania de grandeza (ele pensava que o pai dele era um deus).


Jesus, o galã salvador


Jesus, o revolucionário

Jesus era o maior filho... o maior filho bastardo (ilegítimo) de todos os tempos, com dois pais que não eram realmente seus pais. Não tinha nada de divino e talvez jamais tenha conhecido o verdadeiro pai. Era, afinal, uma vítima dos caprichos da mãe.

* - Nomes traduzidos para o português

OBS. Claro que por trás da história de Jesus existem uma série de alegações "copiadas" de outras culturas. Por exemplo o nascimento sem espermatozóide, a ressurreição após a morte, a realização de milagres...  Além dos evangelhos apócrifos, que foram rejeitados na época da elaboração da bíblia, principalmente por apresentarem um Jesus muito "humano". Mas isso já é matérias pra outros textos que com certeza virão algum dia.



2 comentários:

  1. O artista, como você diz, deve saber manter a imparcialidade dos temas que ele aborda na escrita.
    Nota-se "de que lado você está" enquanto escreve.
    '-'

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  2. let's see...
    Eu escrevi com base nos poucos fatos que podem ser analisados sem fazer especulações baseadas em fé... o que pareceu imparcial?

    (aliás, quando foi que eu disse que seria imparcial ou que o escritor deve ser sempre imparcial? se por imparcial vc quer dizer "não se aliar a uma opinião", me desculpe mas é o contrário do que pretendo)

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